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A pergunta da semana: até onde vai o dólar?

Data: 29/05/2018

A semana começa com uma grande dúvida no mercado financeiro: até onde vai o dólar? A moeda americana fechou a semana passada em 3,74 reais, maior valor em mais de um ano. O euro acompanhou, passando a 4,40 reais, maior cotação desde fevereiro de 2016. O movimento afetou a bolsa: o índice Ibovespa perdeu mais de 3.000 pontos na semana.

Os motivos que levaram a uma escalada do câmbio se mantêm presentes. Entre eles estão fatores externos e internos. Lá fora, o aumento nas taxas de juros de longo prazo do Estados Unidos reduz a liquidez financeira global. Além disso, a instabilidade política, gerada pelas novas interferências de Donald Trump no Oriente Médio e por uma incerta reunião com o norte-coreano Kim Jong-Un. No Brasil, as incertezas vêm do cenário eleitoral, liderado pelo deputado Jair Bolsonaro, mas também do econômico, com sucessivas revisões para baixo nas projeções de crescimento para o ano.

Ainda assim, a maior parte dos analistas considera que o câmbio tem pouco espaço para continuar avançando como nos dias anteriores. Isso não significa que já não tenha bagunçado as planilhas dos economistas. Na semana passada, contestando as previsões, o Comitê de Política Monetária manteve a taxa de juros em 6,50%, citando, entre outros fatores, a mudança nos fatores que têm levado a inflação para baixo. Ou seja, o câmbio valorizado tem puxado a inflação para cima — pouco, é verdade, mas para cima.

Relatório do banco Credit Suisse aponta que a inflação no cenário de referência subiu de 3,6% para 4% para 2018 por causa da mudança no câmbio médio real/dólar para o ano: de 3,25 para 3,60. Ainda assim, relembra o Citi, a inflação ficaria abaixo do centro de meta estabelecida para 2018, de 4,5%. 

Nesta segunda-feira, uma nova rodada do Boletim Focus com cem analistas financeiros deve jogar luz sobre a expectativa econômica para 2018. Na semana passada, o Focus piorou as projeções para inflação, câmbio, PIB e produção industrial. Uma nova leva de más notícias deve manter o clima de tensão no mercado.


Fonte: EXAME Hoje

21 maio 2018, 08h07 - Publicado em 21 maio 2018, 06h10



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